terça-feira, 12 de junho de 2012

Já não há mirones


Na véspera do Portugal-Alemanha decorreu mais uma assembleia geral da Liga e, neste ajuntamento de pessoas única e exclusivamente focadas na evolução do futebol português, foi aprovado pela maioria dos clubes que, na próxima época, vamos ter jogos das Ligas profissionais em que os árbitros não vão ser observados e avaliados.
Tanto se debateu a avaliação dos funcionários públicos e, afinal, o desempenho mede-se pelo serviços prestados.
Como estávamos focados no embate da selecção e com o cheirinho de tão importante jogo no nariz,  já nada nem ninguém nos faria tirar olhos do treino de adaptação da selecção ao relvado do estádio de Lviv, nem do pequeno almoço de Cristiano "Reinaldo", nem tão pouco do que pensa um vietnamita ou um congolês das virtudes da nossa selecção.
O que interessa se árbitros principais, seus compinchas auxiliares ou restante famelga vão passear impunes os seus atributos nos nossos estádios se, naquele dia, o fado português se iria digladiar com a polka alemã, ao ritmo de uns pontapés na bola?
Ainda apareceu Manuel José a querer distrair-nos do essencial mas o que valeu foi que ecoou Queiroz e, aí, vimos que era só foguetório e dor de corno.
Já uns dias antes andávamos nós preocupados com a lesão de Nani e em saber se Postiga seria o matador escolhido para o grande duelo, quando surgiu a hipótese do recurso a árbitros estrangeiros para apitarem no nosso campeonato. A mim já me bastou ver Pedro Proença partir para a Polónia, possivelmente para um campo de concentração, talvez como castigo pela época indígena, para ainda estar a imaginar recebermos outros da mesma estirpe, e que ainda por cima não percebem o vernáculo que por cá se usa.
O que vale é que apareceu logo Luís Guilherme a relembrar que esta não é uma república das bananas, e que podemos e devemos equiparar-nos aos grandes campeonatos europeus.
Não percebo como podem estar a perder tempo com pormenores de somenos importância, quando o futuro e a honra da nação estão em jogo.
Além disso, se quiséssemos importar-nos com assuntos de relevo, dedicávamo-nos a espiolhar a novela mexicana que tem Adrien como protagonista, ou o interesse diário de clubes da Indochina pelos nossos holandeses.
É irrelevante  preocupar-nos com a avaliação dos árbitros e seus assistentes. 
De que servia quando eram avaliados? Se num jogo nosso algum fizesse mer*a da grossa, ficavam de molho um par de jornadas, mas já viram o que  podia acontecer como contrapartida?
Imaginem o que é apanhar, por exemplo, João Ferreira que, ainda escravo das amarras que eram as avaliações, fazia alguma das suas e era castigado. No jogo seguinte aparecia-nos Duarte Gomes?
Realmente, isso é quer era castigo!!
Quer-me parecer que esta medida surge em virtude de alguns cortes no orçamento da arbitragem, e assim suprimiram-se os observadores.
Cá por mim mantinha os mirones, que são menos, e cortava era nos árbitros. Podia cortar-lhes os largos milhares que recebem cada vez que influenciam um resultado, ou cortava-lhes o cabelo rente, cada vez que algum iluminasse aquele riso sarcástico, de quem nos está a tramar.
Por muito menos  cortam o rabo ao touro, em Espanha.
Esta iniciativa de Vítor Pereira vai permitir um orçamento mais folgado, para repartir entre os homens do apito, do 4º árbitro e do bandeirinha.
Por muito menos  espetam uma bandarilha ao touro, em Portugal.
Bem, não podemos alegar falta de inteligência porque, quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é tolo ou não tem arte!!
Além do mais, o Papa abençoou a medida portanto, estamos entendidos.
Amanhã há jogo da selecção. Aproveitem para tomar mais medidas, que assim ninguém dá por elas.