sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Bode respiratório

Para quem gosta muito da selecção, hoje foi um dia para recordar pela saborosa vitória sobre a Irlanda do Norte, mesmo que a exibição tenha deixado a desejar, em termos globais.
Salvou-se o resultado, e uns minutos da 2ª parte, onde acabámos por bater uma equipa que tinha empatado em casa com o Luxemburgo e Azerbeijão, tinha perdido com Israel e tinha, isso sim, vencido de forma supreendente a Rússia.
Também foi um dia para recordar por mais um dossier arquivado pela direcção liderada por BdC.
O Sporting enviou um comunicado à CMVM, informando que deu por terminado o contrato com Bojinov por...(e cito) "abandono de trabalho".
Este é o culminar de um processo que ganhou contornos mais definidos quando o jogador búlgaro não se apresentou em tempo oportuno, neste início de época.
O jogador já tinha justificado a ausência, tal como fez questão de o referir a um jornal desportivo:

 “O meu pai teve de ser operado a um tumor na garganta. Nesta situação era-me impossível viajar para Lisboa. Tinha de estar com ele. Tudo isto foi explicado ao Sporting, através do meu empresário e do meu advogado. Enviámos um e-mail para o clube, dirigido ao diretor-desportivo e ao presidente. Entretanto, o Sporting não me telefonou a comunicar quando deveria apresentar-me no clube. Agora, estão à procura de um bode expiatório".

Devo dizer que este desfecho não é algo que me apanhe desprevenido, dada a dificuldade do Sporting em arranjar colocação para o jogador...e para o seu faustoso ordenado.
No entanto, também não fico satisfeito que a direcção tenha que recorrer a manobras matreiras, de modo a livrar-se de um "peso morto" de que, objectivamente, não é responsável.
Bojinov, no tempo em que vestiu a nossa camisola ou, mesmo longe de Alvalade, esteve ligado contratualmente ao clube, nunca demonstrou falta de respeito para com o Sporting...o que não quer dizer que, a partir deste momento, não vá mudar de opinião.
Já a parte desportiva deixou muito a desejar, mesmo que fosse previsível que nos conturbados tempos desportivos e directivos que encontrou, fosse difícil para qualquer jogador recém chegado demonstrar as suas potencialidades.
Bojinov, por certo, irá ameaçar ou avançar para "as entidades competentes", como costuma acontecer, e deverá alegar, uma vez mais, que fizeram dele o bode expiatório.
Talvez fosse mais coerente, dado termos o pontapé-na-bola como pano de fundo, que se intitulasse de bode respiratório...termo mais apropriado ao futebolês.