terça-feira, 3 de setembro de 2013

Garantidamente...sem garantias

O mercado de transferências trouxe movimentações de última hora, e mesmo o sportinguista mais atento não esperaria algumas das novidades.
Ainda o dia estava a acabar e já se falava em Vítor, médio do Paços de Ferreira, mas a manhã acabou por revelar também a contratação do lateral paraguaio Piris, oriundo da A.S. Roma.
Mais do que comentar as novas incorporações, sinto-me instado a  comentar os comentários.
É que, ainda os nomes estavam quentinhos, e já alguns sportinguistas se manifestavam, alegando que estas contratações significavam que se tinham cometido erros de cálculo no reforço da equipa.
Se Piris é lateral direito, a sua chegada quererá dizer que Welder não será opção para a equipa principal.
Se Vítor é um organizador de jogo, tal quererá dizer que Magrão dificilmente pegará de estaca...mesmo que o médio brasileiro seja polivalente e o próprio Leonardo Jardim tenha referido essa valência.
Quando o mercado de jogadores está marcado pelos condicionalismos monetários, acaba por ser frequente que aconteçam falhas ao nível da avaliação de determinados jogadores, quase todos eles em processo de crescimento.
Além disso, a famosa adaptação a realidades e países diferentes também tem a sua quota parte, quando se verifica o falhanço de um jogador.
A qualquer um passará despercebido que todas as equipas da Liga (só para falar de Portugal) tem dispensado ou emprestado um sem-fim de jogadores, passadas poucas semanas de chegarem, carregados de esperança.
Já não deviam passar tão despercebidos o sem-fim de jogadores que, nos rivais, acabam por ter igual ou pior sorte que estes desconhecidos.
Chegam rotulados de craques, carregados de potencialidade e, num piscar de olhos, são recambiados à origem, emprestados ou, pura e simplesmente, são comidos pela terra.
O Porto, por exemplo, já devolveu Tiago Rodrigues à procedência, e no mesmo saco seguiu a promessa Abdoulaye.
Iturbe, o novo Messi, foi fazer mais um estágio, desta vez em Itália.
Já a equipa B, que o Sporting utiliza como berçário dos jovens da Academia, é utilizado pelo Porto para rodar todos os imigrantes com rótulo de garantia.
A equipa B portista lidera a II Liga, servido pelos mexicanos Reyes e Herrera, pelo herói Kelvin, pelo ex-Estoril Carlos Eduardo...e mais um francês, um marfinese, dois egípcios, um angolano, um venezuelano, um paraguaio, em belga, um sérvio, um nigeriano e brasileiros, que fazem companhia a uma mãozinha de portugueses.
Muitos deles, daqui por pouco tempo, sairão de um modo muito mais incógnito do que chegaram, pois fizeram capas de jornais e povoaram o imaginário de muitos adeptos do norte.
Já em relação ao Benfica, precisaria de uma resma de papel e uma recarga para a caneta, para escrevinhar a lista de jogadores entrados e saídos, sem que sequer os seus adeptos tenham tido oportunidade de fixar os seus nomes.
Ontem, por exemplo, emprestaram ao Farense dois jovens uruguaios que ainda trazem o selo do aeroporto na testa.
Mas também o fizeram com jogadores com outras credenciais, como Pizzi e Fariña, que tiveram um pé em Alvalade, foram desviados para a Luz, mas por poucas horas.
Já Cortez chegou, tomou conta da maldita lateral esquerda e...já ganhou anti-corpos, a ponto de terem ido buscar mais um.
E que dizer do craque Lisandro Lopez, que chegou há dias com uma aura na cabeça e já está em Espanha?
Pois bem, o Sporting não se pode dar ao luxo de falhar tanto nas suas apreciações, e esta últimas semanas esteve precisamente a resolver inúmeros erros de casting da anterior direcção.
O Sporting, infelizmente, ainda não tem uma bola de cristal para prever o futuro ou, sequer, a garantia de qualidade de um determinado jogador.
Seria por isso interessante que os nossos adeptos dessem um pouco de tréguas ao clube, e compreendessem que também os nossos responsáveis têm direito a errar.
Isto, claro está, se se confirmar que Welder e/ou Magrão vão ter vida difícil em Alvalade.
É que também Piris e Vítor não trazem selo de garantia.