quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Ser prestável

Se havia algo que unia os sportinguistas nas críticas à anterior direcção era relativa às aparições dos famosos papagaios...essencialmente, os que tinham como habitat os meandros do clube.
O Sporting falava a duas, três, quatro vozes...ou as que entendessem aparecer, consoante a sua sede de mediatismo.
É verdade que, logo após a tomada de posse da presente direcção, houve uma ou outra intervenção pública de quem devia estar mais na sombra. Este facto acordou os adeptos mais atentos, que devem ter achado que a uma má direcção não se lhe devia exigir demais (talvez por terem pouco para dar) mas a uns corpos sociais acabadinhos de sair do forno nada devia ser permitido.
O certo é que, nos últimos tempos, BdC parece ter-se tornado no único porta-voz do clube e, deste modo, o Sporting tem falado mesmo a uma só voz.
Têm sido muitas as aparições públicas, e quase diariamente temos tido acesso aos mais quentes assuntos da actualidade leonina.
Mesmo que muitos duvidem ainda das suas boas intenções, ou do sucesso de muito dos dossiers que tem em mãos, a verdade é que temos tido, aparentemente, acesso à informação que interessa...tanto às boas como às más notícias.
Já o estilo de BdC também tem sido motivo de várias análises.
Talvez os mesmos que acham normal que Pinto da Costa se tenha sentado durante décadas no banco portista, vêm agora criticar a opção do presidente leonino sentar-se no banco de suplentes.
Pinto da Costa, por seu turno, talvez devido à provecta idade, já não se senta nem no banco de suplentes...nem no banco dos réus.
Quanto ao discurso irónico-irritante, o de Pinto da Costa parece estar gasto mas, ainda assim, toda a gente acha normal ou, até, folclórico.
Já a prosa de BdC parece deixar alguns incomodados, mesmo que a sua voz de homem contraste com o tom monocórdico do outro.

Por estes motivos, é raro as pessoas ficarem indiferentes às aparições do presidente leonino.
Numa das suas últimas intervenções, explicou que esteve sempre por dentro das movimentações portistas para levar os jovens Coreto de Massamá e Isidoro Bambú...ou lá como se chamem.
Após uma interessante analogia com uma história da sua infância, onde conta como um elefante verde de porcelana, com algum valor sentimental para a sua mãe, deu lugar a dois pequenos elefantes verdes, o presidente leonino revelou que o Porto queria "um elefante grande", subentendendo-se que se refere a Bruma, mas levou "dois pequeninos".
Assim não terão ficado de trombas.
Disse também que se ofereceu, caso fosse necessário, a levá-los no seu carro e deixá-los ao pé do estádio do Dragão.
Se há uns que não prestam...outros são prestáveis!!

Se eventualmente podemos considerar que o Sporting foi, uma vez mais, derrotado pelo poder instituído, a verdade é que desvalorizar as derrotas não deixa de ser um bom estratagema para minorar as mágoas.
Sem ser original, dado que o estilo até já fez escola, confesso que dá algum prazer verificar que, a nível de dialéctica, não perdemos para os rivais.