quinta-feira, 26 de julho de 2012

Adiós??


Ao que tudo indica, Matias Fernandez vai sair do Sporting.
El Crá (o craque) ou Matigol (este não necessita tradução) são as suas alcunhas, e qualquer delas  suficiente para classificar a aura com que chegou a Alvalade.
O galardão de melhor jogador do ano da América do Sul, em 2006, fazia prever um jogador de eleição, e aquando da sua contratação todos correram para o Youtube para rever as suas façanhas, porque dos 3 anos passados posteriormente no Villarreal pouco havia para comprovar a sua qualidade.
À sua inadaptação a Espanha foram apontados vários factores, como a juventude, o treinador, a táctica utilizada...mas felizmente não se lembraram de apontar o idioma como causador do percurso pouco conseguido.
Na sua chegada a Portugal,apesar da equipa da época 2009/10 ser composta por atletas de qualidade duvidosa, a maior parte dos adeptos leoninos, com o seu habitual optimismo, achou que a valia de Matias seria suficiente para camuflar a mediocridade de Pongolle, Saleiro, Caicedo, Postiga, Angulo, Grimi, André Marques, Mexer ou Ricardo Baptista, só para citar de cor.
Talvez por esta razão irá provavelmente sair de Alvalade sem ter conquistado qualquer troféu, mesmo que na última época já tenha havido uma inversão de qualidade do plantel e tenha chegado a cheirar uma Taça mas, mais chateados estaremos todos nós, que sofremos muito mais com os desaires que alguns profissionais da bola. 
Escrever sobre Matias torna-se, por este motivo, uma actividade de risco, pois uma larga franja de adeptos tem um fraquinho pelo chileno.
Quando Matias, naquele jeito desengonçado, fazia um slalon por entre meia equipa adversária, os seus apaniguados vinham logo a correr para a net para esbofetear os críticos, mesmo que no final da proeza o jogador escorregasse ou visse o seu esforço terminar de forma inglória.
Qualquer passe bem calculado, remate intencional ou finta de corpo era logo sujeito à avaliação da Marktest sportinguista, que o seguia com particular atenção.
Mas tal como refiro os seus apoiantes incondicionais, também o posso fazer em relação aos seus menos numerosos críticos ferozes, sempre prontos a disparar quando El Crá batia os livres contra os joelhos dos jogadores da barreira, ou quando denotava menos vontade para ajudar em tarefas defensivas.
Aliás, foi já no legado Sá Pinto que pareceu mudar alguma dessa menor apetência a defender, e logo os seus fãs vieram a terreiro bradar a plenos pulmões " O homem agora até defende".
Pois bem, no meio desta pequena guerra estava eu...e mais uns quantos, pois queria só que o Sporting ganhasse. De preferência com Matias (e Pereirinha, e André Santos, e Carriço...e todos os mal-amados, porque são valiosos activos do Sporting) porque não tinha nada contra ele, a não ser quando se exibia abaixo do normal para os seus créditos.
Claro que queria muito que Mati fizesse os seus detractores dar o braço a torcer, porque isso seria bom para o Sporting, mas infelizmente os outros levaram quase sempre "vantagem".
É que apesar de poderem relembrar o livre de Manchester, alguns golos de penalti, o tal outro golo na Liga Europa do ano anterior que ainda ninguém sabe se tropeçou na bola ou tentou fazer uma habilidade, e mais uns jogos de alto nível, o certo é que a regra exibicional foi média-baixa.
A fraca condição física foi sempre apontada como um dos problemas para a sua explosão enquanto figura de relevo, e as cíclicas pequenas lesões quase que serviam de justificação para estar sempre em fase de recuperação, e deste modo era natural vê-lo sair por volta dos 70 minutos, um pouco à la Pedro Barbosa na fase final da sua carreira.
Só à laia de exemplo, Matias foi substituído em 2/3 dos jogos na última época em que foi titular, e essa substituição ocorreu, em média, aos 62 minutos desses 18 jogos.
Serve somente como ponto de referência.
Claro que a conversa muda de figura quando falamos dos valores por que irá ser transaccionado, de acordo com o que tem vindo a público.
Os 4 ou 4,5 milhões de euros que se fala parecem efectivamente pouco, tal como a muitos nos pareceu insuficiente os 3,5 de João Pereira mas, se olharmos para o mercado actual e para o facto do jogador não se ter valorizado com a nossa camisola, então estará perfeitamente justificado o valor.
Quando o Sporting o foi buscar por pouco mais de 3,5 achou-se um valor justo, mas quando se tratar de vender por preços similares acha-se pouco.
É óbvio que queremos valorizar o que é nosso mas, pela minha parte tento achar esse ponto de equilíbrio.

No entanto, essa noção do real valor do jogador muda de figura se entrarmos nas sempre pertinentes comparações, quer com outras transacções leoninas quer com jogadores de outros quadrantes, e nesse exercício acaba por vir sempre à memória os negócios do Costa.
É que por esse valor que se fala, consegue o Costa vender as ceroulas do Rolando, mas tal deve acontecer por terem a perna alta.
Sabe-se que o Costa tem outro poder negocial, e quando tem garantias que vai vender, renova o contrato ao jogador para poder negociar sem constrangimentos. Foi assim com Falcão o ano passado, e acabou por vender por 40 o que arriscava vender por 30.
No Sporting, sabe-se que há vários factores que condicionam as vendas de jogadores, começando pela pouca visibilidade que eles têm em virtude do clube não ser um crónico vencedor, terminando nas depauperadas finanças, que obrigam a ceder às exigências dos negociadores que estão ao corrente deste estado.
Esta crónica não irá mudar mesmo que a transferência não se concretize mas, analisando friamente os prós e contras (alguns deles nem referidos) parece-me que o fim deste casamento tem toda a lógica que aconteça nesta altura, mesmo que haja sempre alguma melancolia quando vemos alguns atletas partirem... e Matias parece ser um bom rapaz.
É pena também porque o blogue irá perder os seus visitantes chilenos!!