sábado, 21 de julho de 2012

Questão central


Numa altura em que as atenções dos sportinguistas passam a focar-se (no que toca a contratações) na chegada do ponta-de-lança, muitas dúvidas continuam a centrar-se no eterno problema da defesa sportinguista, corporizada pelo sempre débil sector central.
É sabido que os ataques ganham jogos mas as defesas ganham campeonatos e, apesar de toda a equipa (dever) participar no processo defensivo, os centrais são quase sempre os mais visados pela (in)eficácia defensiva.
Salvo raras excepções, a equipa que se sagra campeã é também aquela que se apresenta, no final do campeonato, com a defesa menos batida.
O Sporting, como é sabido, só venceu dois campeonatos nos últimos 12 nos, e na vitória da época 1999/00, para confirmar a regra, sofreu 22 golos e tornou-se também na defesa menos batida, onde se destacavam André Cruz e Facundo Quiroga.
Daí para cá, somente na época 2006/07, época de ouro de Polga, muito bem acompanhado por Tonel, sofreram apenas 15 golos mas viram o campeonato fugir por 1 singelo ponto, por entre as mãos do avançado Ronny, do Paços de Ferreira,  e da momentânea miopia do árbitro João Ferreira.
Talvez o facto de só por essa vez a defesa do Sporting ter sido a menos batida do campeonato, neste lapso de tempo, seja um sintoma de há anos não possuirmos um central de referência. Essa posição está a eternizar-se como o elo mais fraco, apesar das dificuldades que também temos para marcar golos e ameaçar tornar-se num outro flagelo para os adeptos leoninos.
Olhando só para as últimas 7 épocas, de modo aos mais novos não se sentirem marginalizados, podemos constatar que houve uma roda-viva de entradas e saídas nessa posição, com especial incidência nos dois últimos anos.
Se olharmos para a época 2005/06, contávamos com Polga (o eterno), Tonel, Beto, Caneira e Hugo. A época seguinte, a já referida e bem sucedida a nível defensivo, manteve-se a estrutura com a inclusão temporária de Moisés, mas este acabaria por nem jogar com a nossa camisola, por questões burocráticas, e Hugo iria à sua vida. Na de 07/08 chegou o careca Gladstone ( mais um que não aqueceu nem arrefeceu) e Paulo Renato fez número. Na de 08/09 apareceu Carriço, algo que entusiasmou muitos, mas o tempo veio dar razão aos mais desconfiados, enquanto Polga, Tonel e Caneira já irritavam os mais impacientes. Para a época 09/10 só apareceu Mexer, mas não mexeu com os sentimentos de ninguém.
O ano seguinte trouxe o argentino Torsigleri e Nuno André Coelho e com eles mais expectativas. Finalmente a defesa ganhava altura...e muitos acreditavam estarem estes à altura da grandeza do Sporting. No entanto, continuámos a sofrer golos de bola parada e a qualidade dos artistas não era indiscutível, como podem comprovar as acesas discussões acerca destes jogadores. 
A grande revolução, depois de quase haver petições públicas nesse sentido, aconteceu na época 2011/12, com a chegada de Rodriguez, Onyewu e Xandão, para fazer companhia a Polga e Carriço. Não há fome que não dê em fartura, só que quantidade não significou qualidade, uma vez mais.
A época que está prestes a arrancar trouxe-nos mais uma tentativa, talvez desesperada, de tentar acertar finalmente num jogador que possa liderar uma defesa nitidamente em défice.
O estilo que Sá Pinto quer impor, e que quando passou a liderar a equipa já fez notar, obriga-nos a ter centrais que saibam ter a bola, que saibam criar desequilíbrios mas, obviamente, que sejam aguerridos e efectivos a defender.
Se muitos continuam a gostar do estilo de Xandão (mais conhecido pelo Xutão, por terras de Vera Cruz), eu continuo a achá-lo útil, mas longe daquilo que o Sporting necessita.
Mais longe estará Onyewu, com um estilo mandão mas cada vez mais trapalhão. Para ilustrar a galopante trapalhice, basta recordar que no jogo contra o Charlton... abandonou o lado esquerdo da defesa, que era o seu, para invadir o lado direito e  ir atropelar o colega Nuno Reis, que se preparava para dividir uma bola aérea com o avançado inglês. 
O jovem central português, esse,  terá certamente tarefa árdua para se poder impor, dada a profusão de jogadores para essa posição.
Assim, e dado que Rodriguez é carta fora do baralho, aqui, no Corunha ou na Misericórdia, e Polga foi finalmente reformado, eis que surgem Rojo e Boularhouz para voltar a fazer-nos acreditar que os dois, ou um deles, pode ganhar o lugar numa defesa a necessitar de líder, como um faminto precisa de pão para a boca.
Rojo parece ter deixado óptimas indicações nos primeiros treinos, mas o holandês também terá credenciais suficientes para ir alternando o lugar com algum do vasto rol de centrais disponível.
A tarefa de Sá Pinto será a de gerir a dupla de centrais e trabalhá-la de forma a que denote a qualidade que fez os responsáveis pelo futebol partir para a sua contratação para que, com a colaboração da restante equipa, possa colocar de novo a eficácia defensiva no topo das prioridades, de modo a ficar mais próximo do sucesso.