sábado, 14 de julho de 2012

Vozes da discórdia


Na sequência da contratação de Prajnic, como aliás aconteceria com qualquer outro, levantaram-se de imediato as sempre lestas vozes da discórdia, quase tão rápidas quanto se consegue ler o nome do atleta em causa.
No Sporting, como na sociedade em geral, há opiniões para todos os gostos, umas mais sustentadas que outras.
Ao fazer um périplo por diversos blogues ou redes sociais, encontrei uma panóplia de considerações dignas dos mais obstinados adeptos rivais.
Mesmo que esta característica não seja exclusiva dos nossos adeptos, é óbvio que causa sempre algum desconforto apercebermo-nos que, depois de sacudido o pó, afinal somos todos parecidos.
Apesar destas parecenças, as vozes da discórdia sportinguista têm uma grande vantagem relativamente às outras, quando vêm criticar jogadores ainda antes deles terem tido oportunidade de vestir a camisola. É que o historial colectivo recente aponta, com alto grau de probabilidade, para o insucesso do jogador em causa ou para uma desvalorização, mesmo que colocado perante adversários de pior valia.
Ainda Prajnic era mero boato e as tropas dividiram-se em três grandes exércitos. Os que achavam tratar-se de uma grande aquisição, os que consideravam um fiasco e os que não o conheciam. 
Se os dois primeiros contingentes baseavam nos seus vastos conhecimentos os seus argumentos, já os últimos não deixavam de constituir surpresa.
É que muitos dos que não o conhecem não se coíbem de tecer considerações acerca do jogador, tendo em conta diversos pressupostos. Ou pelo que leram acerca do jogador ou baseados nas necessidades do plantel.
No caso concreto de Prajnic, apesar de não ter visto mais de meia dúzia de jogos do atleta prefiro colocar-me no grupo dos que não o conhecem, manifestando esta ou aquela opinião genérica com base nas carências ou deficiências do plantel.
É com base neste pressuposto que acho no mínimo curioso que os que desaprovam como os que desconhecem o valor do jogador teçam determinadas críticas.
O jogador, apesar de preferir jogar no centro do terreno, e no Heerenveen ter ostentado com orgulho o famoso nº 10, joga, como todos dizem, onde o treinador quiser. No entanto, foi frequente vê-lo calcorrear o lado esquerdo do campo, tanto a médio como a defesa esquerdo. Temos, portanto, um jogador com uma polivalência assinalável, e que pode evitar algumas dores de cabeça tão recorrentes o ano passado.
Quando no ano transacto nos vimos privados, vezes sem conta, do contributo de Matias ou Izamilov, tendo recorrido na parte final da época a André Martins para fazer o papel de pensador de jogo, talvez nos tivesse dado jeito um jogador com as características do que acabou de chegar.
Quando, também por motivos físicos, delegámos unicamente em Capel e Carrillo o papel de extremos, dado que um dos actores principais para aquele papel, Jeffren, cedo demonstrou que não tinha dentes para aquele bolo, acabámos por recorrer a Matias, Izmailov e Pereirinha para improvisar em momentos decisivos. Talvez também nos tivesse dado jeito alguém que se sente como peixe na água, quando navega por aquelas águas.
Foi deprimente saber que Ínsua esteve abandonado à sua sorte durante toda a época, porque mesmo sabendo que Evaldo poderia entrar a qualquer momento, todos nós enjeitávamos esse sofrimento. 
Que bom seria poder contar com alguém que soubesse defender e sair com a bola jogável, em lugar de dar um pontapé à la Grimi, ou à la Polga, na transição ofensiva.
É pena que este jogador não tenha também características de ponta-de-lança, para podermos dormir mais descansados nos ocasos de Wolfswinkel.
Claro está que já tivemos "ilustres" polivalentes por quem nunca nutri simpatia, como Caneira ou Andrade, só para dar dois exemplos, mas esse é o típico jogador que desenrasca em todo o lado, mas não é bom em lado nenhum.
Desconheço se Prajnic chega para ser primeira opção para alguma dessas posições, apesar de me inclinar para a possibilidade de agarrar a titularidade numa posição no centro do terreno mas, mesmo que a qualidade do plantel o empurre para o banco de suplentes, parece-me um passo em frente na gradual melhoria do plantel, na sua globalidade. Termos um banco de "luxo", por troca com o banco de "lixo" é um upgrade assinalável.
Alguns comentários mais ousados apontam o facto de já termos Ínsua para justificar a incompreensão pela vinda do croata.
Por esta ordem de ideias, não precisávamos de mais centrais, porque os que lá estão chegam...e sobram.
Também há quem argumente que o croata, no último ano, quase não jogou no Bayern. Efectivamente, depois de uma passagem pela Holanda com actuações que lhe valeram o convite do colosso alemão, passou duas épocas de grande utilização para, nesta última, ter saído das opções habituais. No entanto, recordo que dois dos ídolos do Sporting actual vieram em circunstâncias parecidas, ou ainda piores. Ínsua e Capel fizeram travessias no deserto em Liverpool e Sevilha, antes de se tornarem referências no nosso clube.
Vir Prajnic pode significar, para alguns, a saída de Matias, Izamilov ou até mesmo Capel. Mesmo que algum deles possa realmente vir a sair, Prajnic é compatível com todos eles.
Com estes argumentos, não quero arvoar-me em visionário ou entendido na matéria. Quero, isso sim, que o jogador croata tenha a melhor sorte nesta sua experiência portuguesa e que demonstre que a sua chegada visa melhorar, significativamente, a qualidade do plantel à disposição de Sá Pinto.