terça-feira, 10 de julho de 2012

Érique


Já referi vezes sem conta que não tenho ídolos e que sou, simplesmente, fã incondicional do Sporting, independentemente de quem vista a sua camisola.
Apesar deste pragmatismo, como gosto que gostem do Sporting, estou atento ao afamado e persistente problema que aflige o clube, que se destaca por não estar talhado para formar atletas que defendam o clube com a mesma paixão dos seus adeptos.
Desde as famosas deserções, já com dezenas de anos mas bem presentes na memória dos sportinguistas, passando pelos episódios com cheiro a maçã até às mais recentes notícias que indiciam que jogadores formados no clube querem "dar à soleta", o certo é que todos os indícios apontam para uma grave lacuna na formação...ou formatação, se quiserem, dos atletas saídos da Academia leonina.
Apesar de já serem mais raros os trogloditas vestidos de futebolistas que povoavam os nossos campos há umas dezenas de anos, que eram incapazes de articular mais que dois grunhidos seguidos,  e mesmo que os responsáveis da formação leonina apregoem que a componente escolar é fulcral na conjugação com o futebol que se pratica em Alcochete, o certo é que, de vez em quando, ainda aparecem uns cromos que não conseguem disfarçar as suas lacunas perante uma câmara ou um microfone.
Hoje tive oportunidade de ouvir/ler uma pequena entrevista concedida à BBC World Football radio por Eric Dier, o jovem central inglês que irá competir pela equipa B, depois de ano e meio de empréstimo ao Everton.
É com satisfação que também vejo jogadores contrariar esta característica quase hereditária, e constatar que o jogador em causa não só denota uma vontade inabalável de vestir a nossa camisola (mesmo que as suas origens acabem por vir à tona) como demonstra uma maturidade e conhecimentos intrínsecos ao futebol anormais para a sua idade.
Claro está que Dier ainda vai bem a tempo de contrariar a imagem que faz passar nesta entrevista pois, tal como outros, foi formado na Academia que prima pelos dotes técnicos mas relega para planos bem secundários o amor à camisola em detrimento do amor ao empresário.

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