sábado, 7 de julho de 2012

Made in Academia


Ontem tive oportunidade de ver, uma vez mais , a equipa de juniores do Sporting, sob a égide da Federação Portuguesa de Futebol.
Claro está que reclamar os louros desta participação portuguesa é uma pequena provocação, numa altura em que alguns jornalistas se mobilizaram para criticar a contratação do "indiano", alegando que o Sporting estará a roubar o lugar a um jogador português.
Só podem estar a brincar ou estarem a escrever de má fé, mas só ficará admirado quem tiver estado em coma durante largos anos e tiver acordado agora.
Pois bem, voltando ao Europeu de Sub19, depois de ter seguido com atenção a estreia dos nossos jovens contra a anfitriã Estónia, onde foi quase impossível fazer um raio-X aos jovens leões, dada a debilidade do adversário, hoje já deu para tirar ilações da matéria prima deste fornada de atletas.
Tive oportunidade de ver em acção estes jogadores ao serviço do Sporting em quantidade suficiente para não me deixar eufórico ou depressivo, mediante determinadas exibições.
Ainda assim, é fácil constatar que os sete jogadores leoninos que compõem a espinha dorsal da selecção são os que têm melhor qualidade, e é precisamente nos não sportinguistas que reside alguma da debilidade.  O jogo contra a melhor selecção do mundo, que já possui alguns dos recursos que irão provavelmente conduzir vuestros hermanos a um ciclo de títulos sem fim à vista,  pôs à prova a excelência da nossa Academia. Contudo, convém descer de vez em quando da nuvem que nos põe perto das estrelas.
Apesar da diferença do produto made in Academia relativamente aos rivais, já nestes escalões se nota que o fosso relativamente aos melhores está a crescer, talvez por mérito alheio.
Mesmo que o resultado da selecção tenha sido satisfatório, nota-se nos mais pequenos pormenores que ainda temos que aprimorar muitos detalhes que fazem toda a diferença.
Quanto a exibições individuais, continuo a bater na mesma tecla desde que tive contacto com o seu futebol pela primeira vez. Agostinho Cá é um portento e será, talvez, o caso mais sério desta geração.
Se João Mário e Bruma tiveram um primeiro jogo de boa qualidade e uma primeira parte contra a Espanha muito interessante, se Ilori não se tem exibido a grande nível, Betinho tem estado pouco em destaque, Rafael Veloso tem estado ao seu nível e Esgaio muito esforçado mas, dadas as suas limitações técnicas, não gostar de o ver jogar naquela posição (mesmo que tenha estado em dois dos golos contra a Espanha) , já o jogador oriundo da Guiné e que está a meio caminho entre o Inter de Milão e o Barcelona tem demonstrado aquilo que repetidas vezes referi no bloque, e a justificar o porquê do interesse destes colossos, aos quais se junta o Real Madrid, para contar com os seus serviços.
Tenho imensa pena se, como tudo se conjuga, o Sporting perder o jogador porque acredito que só precisaria de um ano a competir no escalão sénior para ser uma alternativa séria e de imensa qualidade para uma posição onde temos investido, sem sucesso, desde há imenso tempo.
Claro está que o Sporting debate-se, provavelmente, com a intransigência do jogador, ou do empresário, para continuar de leão ao peito, e contra isso não haverá nada a fazer, mas esta incapacidade sistémica de gerir os seus activos, ainda eles são meros embriões, justifica e explica muitas incógnitas relativamente ao historial mais recente.
Para terminar, as palavras do seleccionador nacional de Sub19, após o saboroso empate:

"Estes jovens estão a evoluir jogo após jogo, treino após treino, e isso dá-nos alento para continuar e sentimo-nos orgulhosos por fazermos parte deste processo".

Claro está que há mérito nos seleccionadores que conseguem gerir uma equipa onde coabitam jogadores de vários quadrantes mas não me parece que a evolução que proclama, treino após treino, seja assim tão pertinente. Não é nas poucas semanas por ano, onde se encontram em pontuais fins-de-semana, que se extrai a sua essência, mas sim no trabalho que é feito nos clubes durante todo o ano.