segunda-feira, 2 de julho de 2012

Dar tempo ao tempo


A noticiada reformulação do sector de formação do Sporting volta hoje a ter  mais episódios. 
Se as primeiras informações, que referiam o despedimento de mais de 30 treinadores da formação, apanhou de surpresa muitos sportinguistas que não se coibiram logo de tecer todo o género de considerações, mesmo não estando por dentro da génese e das motivações para tal medida, hoje já se faz mais luz sobre a reestruturação.
Tal como tinha dito na crónica relativa ao assunto, uma medida desta natureza devia suscitar algum tipo de esclarecimento por parte do Sporting, para evitar comentários desfasados da realidade que, inevitavelmente, acontecem. Até o presidente de uma agremiação rival tentou vender o seu peixe graças a esta medida, perante o silêncio dos nossos responsáveis.
Ainda assim, parece-me que à falta de dados que nos permitissem aferir sobre a pertinência da medida, o mais sensato seria abster-nos de comentar, para evitar cair mais tarde no ridículo.
Hoje o jornal O Jogo diz que : "a  SAD do Sporting está a levar a cabo uma reforma dos padrões que regem o departamento de formação e, nesse sentido, além da criação de um modelo de jogo transversal a todas as equipas, pretende também uma identificação total dos seus quadros com o espírito do clube, razão pela qual alguns foram durante esta semana dispensados, optando o Sporting por não renovar os seus contratos.
A partir de agora, e pela primeira vez, as decisões relativas aos contratos dos técnicos da formação serão tomadas em função de uma criteriosa avaliação que contempla apreciações técnicas e análise dos resultados obtidos. Além disso, em caso de desempenhos equivalentes a prioridade será sempre para quem for assumida e comprovadamente sportinguista.
Exemplo disso mesmo é a composição da equipa técnica que na próxima temporada vai comandar a equipa B dos leões, que irá participar na II Liga: Oceano Cruz será o treinador principal e terá como adjunto José Dominguez.
...
A SAD pretende que além da capacidade internacionalmente reconhecida para o desenvolvimento de novos talentos, a Academia forme "jogadores à Sporting", perfeitamente identificados com o clube, os seus valores, um modelo de jogo e as características que os responsáveis pretendem para os atletas da equipa principal."

Claro está que, a ser verdade o que pudemos ler na publicação, a direcção actual e o organograma que entra em funcionamento continuará a poder ser visado pela crítica pois... não há modelos perfeitos.
No entanto, penso que poderá ser dado um passo em frente na afirmação da Academia e dos seus valores. 
Apesar dos relevantes serviços à causa sportinguista e até ao futebol nacional, a nossa escola de futebolistas tem visto a supremacia relativamente aos rivais ser encurtada, e a escassez de títulos é notória.
Nos últimos quatro anos, conseguimos "só" 3 títulos de juniores, em doze campeonatos nacionais dos três escalões em disputa. 
Se os títulos são irrelevantes para alguns, o certo é que para a maioria constitui um factor de afirmação e qualidade. A prova disso é que o próprio modelo que hoje é notícia realça os resultados obtidos. O aproveitamento dos recursos humanos é a grande prioridade, sempre será, para mais num clube onde não abundam os recursos financeiros para combater com as mesmas armas, mas o grande problema residirá sempre na gestão que é feita posteriormente, e muitos são os exemplos negativos que temos e que não deveremos seguir.
O Sporting e os sportinguistas não devem ficar reféns do passado, atitude que nos levou a um marasmo com os resultados que estão à vista, e pensar que tudo está bem porque formámos Ronaldo ou Nani, ou porque ganhámos o campeonato de juniores no último ano.
O timing para reformular será sempre o adequado, desde que se identifiquem lacunas e escolhos que emperrem o mecanismo.
Quer-me parecer que o problema não é esta reformulação, mas o tempo que se adiou a mesma. 
Neste hiato de tempo, muitos foram os atletas da nossa formação que vieram para o Facebook apregoar amor a outras camisolas, muitos foram os campeonatos perdidos...muito pode ter sido o tempo perdido.
O sportinguismo, por si só, não é garante de qualidade, essencial para a prossecução de trabalho válido mas parece-me uma variável a ter em conta, quando se tiver que colocar alguém no prato de uma balança.
Só espero é que, daqui por uns anos, quando os frutos desta nova árvore começarem a brotar, se comece finalmente a notar que o adubo utilizado foi de boa qualidade, que a poda foi criteriosa e que a fruta não apodrece com facilidade.