quarta-feira, 18 de julho de 2012

O Canibal está com fome de títulos


Ficou desvendado o mistério que povoou a imaginação de adeptos e jornalistas desde que o Sporting comunicou a apresentação de um jogador para o plantel profissional, até ao aparecimento público de Khalid Boulahrouz.
O jogador holandês de origem marroquino (mais um, depois de Labyad) poderá vir colmatar algumas lacunas, mas também poderá ser mais um enorme ponto de interrogação, dado o seu percurso algo sinuoso.
Penso que a maioria dos adeptos, nos quais me incluo, devem recordar-se quase exclusivamente do jogador  pela famosa "Batalha de Nuremberga", nome por que ficou conhecido o jogo entre Portugal e Holanda (Mundial 2006) onde foram mostrados 16 cartões amarelos e 4 vermelhos.
Nesse jogo Boulahoruz deu-se a conhecer, e foi quem lançou as bases do jogo, ao lesionar Ronaldo com uma entrada que, aliás, já tinha sido prometida pela equipa holandesa.
O que me interessa, neste momento, é que o o hematoma de CR7 já desapareceu e eu quero é que Khalid defenda o Sporting com unhas, dentes e o que seja necessário.
A larga experiência do jogador está sustentada, principalmente, nos largos anos de Bundesliga, onde representou  Hamburgo e Estugarda. Também teve meteóricas passagens por Sevilha (6 jogos realizados - 4 derrotas) e Chelsea, mas começou a carreira no modesto RKC Waalwijk, equipa com pouca projecção, do meio da tabela do campeonato holandês.
No entanto, é na mediática selecção holandesa onde mais sobressaiu, dada a qualidade colectiva da equipa e por ser, geneticamente, uma selecção sempre com grandes ambições.
Apesar disso, na laranja mecânica e seus derivados, geralmente quem tem direito às luzes da ribalta ocupa posições mais avançadas, ali...do meio campo para a frente, e os defesas holandeses, na sua generalidade, até são reconhecidos pela sua inferior qualidade, quando comparados com a restante equipa.
Contudo, esta incapacidade defensiva tem mais a ver com o modo como os seleccionadores holandeses montam as suas equipas (mais preocupados em conciliar os imensos jogadores de propensão ofensiva...e menor capacidade defensiva) do que com a qualidade dos seus actores secundários.
No recente Europeu também fez parte da convocatória, na selecção que constituiu a grande decepção da prova, ao averbar 3 derrotas noutros tantos jogos, mas o polivalente jogador não jogou um único minuto. 
O Canibal, como é conhecido, tanto poderá jogar a central como poderá jogar na lateral direita (talvez assim se "justifique" a passagem de Arias para a equipa B) mas poderá voltar a inclinar um campo que, com a saída de João Pereira, esteve pouco tempo equilibrado. É que com o lateral transferido para o Valência em campo, o Sporting iniciava o jogo praticamente com um amarelo garantido. Agora, com o defesa holandês, voltamos a garantir que os árbitros têm ali um foco de embirração.
Nas primeiras declarações disse que está com fome de títulos mas, com o currículo dele, qualquer um estaria. É que, a fazer fé num site que consultei, o homem só ganhou uma FA Cup, em Inglaterra. O ronco do seu estômago deve poder ser ouvido a quilómetros de distância.
Tendo em conta as mais recentes entradas, mesmo que subsistissem muitas dúvidas relativamente às evidentes lacunas no sector mais recuado, sobram agora algumas interrogações quanto a alguns dos investimentos da época passada.
Se a lateral direita poderá ser disputada entre Cédric, Pereirinha e o próprio Boulahrouz, o centro da defesa terá este último galo em luta com Onyewu, Xandão, Carriço e o provável Rojo. A lateral esquerda ficará entregue a Ínsua ou a interrogação Rojo, a não ser que o mais recente boato (Ziegler) apareça do nada, significando que os responsáveis leoninos poderão estar (mesmo) a tentar livrar-se do ordenado do defesa esquerdo argentino.
Esta e outras dúvidas irão ser esclarecidas ou alimentadas nos próximos dias, num quiosque perto de si.