quarta-feira, 11 de julho de 2012

Coisas de capitães


O plantel do Sporting ainda está por fechar mas, enquanto os seus adeptos  aguardam ansiosamente por novidades, lá vão discutindo quem deverá ostentar a braçadeira de capitão.
Opiniões há-as para todos os gostos, e todas elas são válidas, porque no final o que interessa é que o Sporting alcance os seus objectivos com quem quer que seja a carregar esse motivo de orgulho mas, essencialmente, de responsabilidade.
A juntar-se às vozes dos muitos adeptos que, tantas vezes, têm tanto de boa vontade como de desconhecimento dos predicados que devem nortear a sua escolha, por vezes aparecem individualidades com larga experiência e conhecedores dos meandros do futebol.
Hoje, quase como que para temperar as múltiplas opções lançadas por simples adeptos, blogueiros ou afamados especialistas dos jornais, surge o ex-capitão Hilário a emitir a sua opinião.
O ex-jogador oriundo de Moçambique e que defendeu a nossa camisola durante 15 anos, 5 deles como capitão, reprova a escolha de um jogador estrangeiro e lança alguns nomes para a discussão.
Compreendo e até concordo em parte quando diz que "um capitão do Sporting deve ser alguém que conheça a história do Sporting e que de preferência que venha da formação ou chegue ao clube muito novo".
Vai mais longe e diz que "tenho pena que se dê a oportunidade a um estrangeiro de ser capitão do Sporting. E falo do Sporting, como poderia falar do Benfica, em que os capitães são o Luisão e o Maxi Pereira, ou do FC Porto, em que são o Hulk e o Helton".
No caso dos rivais seria até uma tarefa complicada que um português envergasse a braçadeira, a não ser que alterassem a convocatória de alguns jogos onde parece estarmos perante uma qualquer equipa de um campeonato sul-americano.
O Sporting ainda vai cumprindo esses requisitos, em parte pela sua menor capacidade para rivalizar com Porto e Benfica no campo das aquisições, para bem da sua formação e de todo o futebol português.
Há males que vêm por bem, definitivamente.
Já tivemos vários estrangeiros a capitanear a equipa, desde o saudoso Iordanov, passando pelo menos saudoso Polga até ao holandês Valckx, que nem sabia falar português quando iniciou essa função.
No entanto, todos eles talvez tivessem sido capazes de impedir que Bojinov retirasse a Matias a possibilidade de bater o célebre penalti contra o Moreirense, num jogo capitaneado pelo português João Pereira.
É que isto de ser capitão pode ter uma carga simbólica, mas também muito de liderança, e essa não tem fronteiras nem nacionalidades.

Ainda no campo da lotaria, Hilário aponta um nome que na sua opinião daria um bom capitão. "O Adrien Silva! É certo que esteve emprestado nas duas últimas épocas, mas tem muitos anos de casa  e é um indivíduo que sabe o que é o Sporting e apresenta algumas qualidades inerentes ao desempenho do cargo".
Pois, caro Hilário, apesar de todo o respeito que me merece a sua opinião, este é um dos nomes que descartaria sem pestanejar, pelo menos nos próximos tempos.
Pode ser líquido que Adrien tem muitos anos de casa e que estes lhe deram provavelmente o conhecimento do que é o Sporting, mas penso que é notória alguma falta de estima pelo clube que o formou, à imagem de outros que cresceram de verde e branco.
Num dia em que uns jornais voltam a dizer que Adrien continua em negociações para a renovação, depois de rejeitada a primeira  proposta apresentada pelo Sporting, outros dizem que Adrien quer sair. Assim, o certo é que o nome do luso-francês não será consensual na estrutura do Sporting e, muito menos, na larga franja de adeptos leoninos.
Se se conjugarem os interesses e o jogador se mantiver em Alvalade por tempo suficiente, terá que demonstrar o tal carácter necessário para ser distinguido com essa responsabilidade. 
O pior é se a corda se partir nestas rondas de negociações e aí,  caríssimo Hilário, terá que arranjar outro nome que faça parte do lote de portugueses do plantel leonino.