terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Comer e calar


Nada melhor que o semi-desaire de Coimbra para alguns órgãos de comunicação social voltarem à carga. 
Hoje, o jornal A Bola diz que Domingos está na mira do Atlético de Madrid, que a transferência de Diego Rubio está a ser investigada pela FIFA e que Godinho Lopes avisa para os tempos difíceis que aí vêm.
Penso que esta última não é novidade para ninguém, nem pode ser considerada falaciosa, pois todos somos conscientes da conjuntura mundial que não deixará os clubes imunes. Quanto às outras, acredito que sejam para cair no esquecimento, daqui por uns dias.
Estas palavras de Godinho Lopes surgem na declaração semanal dirigida aos sócios, mas eu gostaria de ver implementada uma estratégia mais eficiente  pela transparência do futebol nacional. 
A última jornada foi, uma vez mais, espelho do modo de actuação dos protagonistas do futebol de trazer por casa.
Num jogo em que o Porto saiu vencedor, o seu presidente não se coibiu de vir a lume atacar o árbitro desse encontro. Segundo as suas palavras, "estava em cima da jogada, não viu o lance que envolveu Belluschi, então não tem condições para arbitrar, porque vê mal" mas continuou o ataque dizendo que, se viu....pior ainda, e também não tem condições para apitar, associando-o (com razão) a um célebre jogo em que assinalou 3 grandes penalidades a favor do Benfica, sendo que duas delas eram inexistentes. O árbitro visado e confesso adepto benfiquista veio, entretanto, fazer mea culpa e reconhecer o erro reforçando, no entanto, ter ultrapassado o incidente.
Quando, no início da época, o Sporting se bateu pela verdade desportiva, rapidamente saltaram a terreiro os defensores do indefensável, e a greve aos nossos jogos decretada por alguns árbitros foi o epílogo que muitos acharam natural. O Facebook, nesse caso, foi esquecido pelos membros da arbitragem. Gostaria de ver onde param agora esses agentes desportivos, na defesa dos interesses da classe. Claro está que, nesta doutrina, quando o Papa fala os seus fiéis só têm que venerar as suas palavras, mas para quem não professa a mesma fé, dá vontade de procurar outra religião.
No entanto, estas declarações tão só vêm realçar aquilo que proclamo, e que salta à evidência no modus operandi de certos protagonistas, desde há décadas. As críticas veladas na vitória são ainda mais eficientes que na derrota. Criticar na derrota é o que todos fazem, e nós perdemos uma excelente oportunidade de continuar a defender os interesses do clube, quando em sucessivas vitórias nos debatemos, calados, com dualidade de critérios gritantes. 
Será de muito mau tom voltar às críticas das 3 primeiras jornadas, quando surgir novo desaire, e o penalti que ficou por marcar em Coimbra, em tudo semelhante ao que suscitou as críticas de P. da C. e o ataque cerrado deste a um dos bastiões benfiquistas nos campos de futebol,  foi só mais um episódio nas apreciações a que temos estados sujeitos. 
Seria óptimo que as nossas críticas se calassem, pois seria sinal que estamos na senda das vitórias, mas seria lícito repensar a estratégia de defesa da equipa de futebol, mesmo que a vitória lhe sorria.