terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Tangerina mecânica


Tudo está bem quando acaba bem.
Pois é, apetece-me começar a escrever esta crónica pelo final, pois o que se aproveita de 90 sofridos minutos nesta eliminatória da Taça de Portugal é, efectivamente, o resultado.
Quando Domingos escolheu o melhor onze para defrontar o Belenenses, deu claros indícios que não queria facilitar, depois dos outros grandes se terem estendido ao comprido. 
As surpresas são pródigas, e nesta eliminatória, para lá do mergulho do....Benfica (estavam a pensar que eu ia dizer Saviola, mas enganaram-se), todos os outros favoritos na respectiva eliminatória estiveram encostados às cordas. Num último fôlego acabaram por garantir os 1/4 final, mas foi agónico, para todos os do escalão superior, ultrapassar os seus opositores. 
Torreense, Estoril, Mirandela, Tirsense, Ribeira Brava e Leixões estiveram quase a lançar foguetes, mas tiveram que os guardar para outra ocasião.
Só por isso não foi de estranhar o inesperado equilíbrio que aconteceu em Alvalade. 
De resto, quando, durante a 1ª parte, alguma equipa se sobrepôs à outra, foi a do Belenenses que quase eclipsou o Sporting. O mesmo Sporting que tem entusiasmado os seus adeptos decidiu fazê-los reviver fantasmas recentes, e deu 45 minutos de avanço, e não deu 45 minutos e dois golos porque Patrício, e alguma ineficácia, se aliaram a nós. 
Estrelinha de campeão, poderá ter sido...e se assim foi, também a merecemos, como aqueles que ostentam nas suas vitrinas troféus que ninguém se recorda como lá chegaram.
A segunda parte, depois de 5 minutos em que mal saímos do nosso meio-campo, indiciava um cenário tão mau ou pior que o da 1ª parte, mas um rápido contra-ataque, conduzido em primeira instância por Carriço, posteriormente Schaars, e do pé esquerdo de Insua para a finalização de Wolfswinkel, foi o virar de página na história do jogo, mesmo que o jogo se viesse a arrastar sem brilhantismo.
Conseguimos, a espaços, pressionar um pouco mais alto, e desse trabalho defensivo sucederam-se algumas oportunidades, e a meio da segunda parte sairia de uma combinação entre os dois holandeses o golpe de misericórdia para os homens do Restelo.
Provavelmente não mereceriam um castigo tão pesado, mas a eficácia não se compadece de "ses" e "quases", tal como tantas vezes o constatámos.
Quanto a destaques individuais, tenho sérias dificuldades em conseguir nomear alguém, sem pestanejar. Mesmo que tenha visto e ouvido os jornalistas cá do burgo realçarem Wolfswinkel, o meu destaque vai para Patrício, porque nos manteve vivos na eliminatória, quando foi chamado a intervir. Carriço continua a merecer a aposta de Domingos, justificadamente, e no sentido inverso, mesmo que a equipa tenha estado em noite não, na generalidade, penso que Polga teve um jogo particularmente infeliz, e foram raras as acções acertadas que pudemos observar. Esperemos que este seja um jogo para recordar, por nos ter guindado à próxima eliminatória, e por termos aprendido a lição de respeitar (e defrontar) um opositor nitidamente inferior.
                                  foto lusa